http://computerworld.uol.com.br/gestao/2008/09/23/iniciativas-de-ti-dependem-do-apoio-do-ceo/
Sistemas de gestão de qualidade de software têm se mostrado uma alternativa eficiente para garantir melhores práticas no desenvolvimento interno.
Por Flávia Yuri, do COMPUTERWORLD
O que é melhor, desenvolver internamente ou buscar soluções de mercado? Existe certo consenso de que no caso de soluções padronizadas, é melhor contar com produtos já testados e certificados por grandes fornecedores.
Mas para empresas que não podem entregar determinadas operações a fornecedores, como é o processo de criação de software? Como garantir as melhores práticas de mercado, quando desenvolvimento não é a especialidade da companhia?
A área de TI é cobrada pela entrega de softwares da mesma forma que um fornecedor especializado nessa atividade. No entanto, normalmente, desenvolver internamente é mais uma das inúmeras atribuições do time de tecnologia, que muitas vezes o faz sem metodologia específica, atendendo às demandas na medida do possível. O que as empresas começam a perceber é que desenvolver sem processos claros e pré-definidos, com controle de qualidade e prova de conceito e de uso pode sair caro para todos.
Uma pesquisa da Economist Intelligence Unit mostra que um erro na fase de desenvolvimento de software que custa 1 dólar vai sair por 100 dólares se descoberto na fase da operação comercial – isso sem contar o impacto negativo que ele pode trazer para o negócio.
Você conhece o Executive Briefing sobre Automação de testes de software
Não é por acaso que o mercado de gestão de qualidade de desenvolvimento entrou para a agenda de TI das empresas que têm suas próprias fábricas de software. Enquanto o mercado de programas de gestão de TI tem apresentado crescimento médio de 9%, o IDC estima que nos próximos três anos, o mercado de qualidade de software no Brasil vai chegar a 25%.
Gestão de qualidade na prática
Na Serasa, desenvolvimento de programas está diretamente ligado à principal atividade da companhia: o fornecimento de serviços de informações de crédito.
“Atendemos a 37 segmentos de mercado e, para cada um deles, nosso programa de informações de crédito precisa de ajustes específicos”, afirma Dorival Dourado, diretor de serviços de TI e novas tecnologias da Serasa. “Por isso, melhorar a gestão de qualidade do nosso processo de desenvolvimento é melhorar o desempenho da empresa junto a mais de 400 mil clientes diretos e indiretos”, afirma.
| Falta de metodologia tem deixado a área de TI em apuros |
| 48% dos projetos saem do prazo |
| 70% dos projetos custam acima do orçamento |
| 23% das equipes dizem pular etapas de testes para minimizar os atrasos |
Fonte: Economist Intelligence Unit
A companhia adotou uma plataforma de gestão de desenvolvimento e qualidade de software em outubro de 2007. A Serasa optou pela solução da Borland. Ainda na primeira fase de implantação da metodologia, que está sendo assimilada pelos 230 desenvolvedores da empresa, ela já contabiliza 10% de aumento de produtividade.
“Mas a maior parte dos benefícios é intangível, pois diz respeito à qualidade. Conseguimos, por exemplo, maior previsibilidade de projetos, economia de tempo em processos e criamos um repositório automatizado para as regras de negócio”, afirma Dourado.
O Caso do HSBC
Se boa parte dos sistemas de uma empresa de informação de crédito é confidencial, no caso de um banco, todo e qualquer programa é crítico. Pela confidencialidade das informações, nem sempre dá para contar com a ajuda de grandes integradores e a responsabilidade fica com a equipe de TI da própria instituição.
Para migrar seu sistema de atendimento de mais de 1,7 mil agências em todo o país para uma plataforma web, sem correr o risco de interferir no dia-a-dia da operação do banco, o HSBC optou por adotar uma plataforma de gestão de qualidade de software, no caso, o HP Quality Center e o HP Performance Center.
O objetivo do banco era realizar cerca de 700 testes a cada nova versão do sistema, em cinco módulos diferentes, além de padronizar scripts e execução de testes. O processo todo, incluindo a fase de planejamento e a definição de cada um dos testes, levou cerca de um ano, de 2004 a 2005. Com a adoção das ferramentas, o banco passou a contabilizar resultados expressivos em seu desempenho.
O tempo de execução de testes caiu 85%. Sem a automação do processo, o banco levaria 10 dias, e quatro profissionais, só para executar os testes de uma versão do módulo conta corrente. Esse prazo caiu para três dias e passou a ser realizado por dois profissionais.
Desenvolvimento na Assembléia
A área de TI da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, a ALESP, também convive com a necessidade de desenvolver à unha alguns de seus principais sistemas.
Esse é o caso do Sistema de Processo Legislativo. Ele é o responsável por todo o trâmite de informações dentro da assembléia, desde a fase de proposição até a etapa de projeto de lei. “Qualquer alteração em leis ou em processos da assembléia pede, necessariamente, uma alteração no sistema. A Lei de Diretrizes Orçamentárias, por exemplo, já passou por 15 mil emendas e ajustes desde a sua criação. Todas essas alterações geram mudanças no sistema”, diz Maria de Fátima Porcaro, diretora do departamento de informática e desenvolvimento da ALESP.
Além do volume de informações que circulam dentro do órgão, a capilaridade da rede de acesso da assembléia é outro ponto que aumenta a complexidade do desenvolvimento. São 645 municípios que acessam as informações da casa.
Por isso, garantir agilidade e eficiência da fábrica de software impactou diretamente nos processos do órgão. A assembléia iniciou a implantação da solução da Borland para gerenciar o ciclo de desenvolvimento e teste de software há cerca de um ano e meio.
Desde então, a equipe de TI já implantou a metodologia de desenvolvimento de arquitetura e, paralelamente, passou a fazer atualizações no sistema com a nova plataforma. Entre os resultados, a área conseguiu automatizar todo o ciclo de publicação de informações. Documentos que levavam até três dias para serem publicados no Diário Oficial hoje são impressos na primeira edição logo após a aprovação.
A equipe de TI deve liberar em breve os novos módulos de workflow da assembléia com 140 certificados digitais para os deputados poderem dispensar a assinatura no papel. “Com ele, centenas de documentos poderão seguir pelo sistema, sem a necessidade de impressão”, diz Maria de Fátima.
O conhecimento e mapeamento de processos pode gerar ótimos resultados inclusive no SMB.
Por CIO.com, EUA
A ITIL se destina às grandes empresas, certo? Não necessariamente.
Embora as organizações de TI maiores estejam mais associadas às implementações da ITIL, existe evidência crescente de que empresas menores se beneficiam.
As credenciais da ITIL nas grandes empresas não podem ser negadas. A Information Technology Infrastructure Library, desenvolvida originalmente no Reino Unido em meados dos anos 80, é um conjunto de conceitos e técnicas de melhores práticas para abordar o gerenciamento eficaz da infra-estrutura, da entrega de serviços e do suporte a serviços de TI.
As diretrizes iniciais de melhores práticas da ITIL, publicada pelo Office of Government Commerce do governo do Reino Unido, têm sido amplamente adotadas ao redor do mundo, apesar dos números exatos não serem conhecidos. (Basta comprar um conjunto de livros da ITIL e adotar as práticas da ITIL desejadas.)
Para alguns, o background “big business” da ITIL atrapalhou sua adoção por parte de instalações de TI menores. “A ITIL não disse ao que veio às empresas menores”, diz Barclay Rae, diretor de serviços profissionais do Help Desk Institute da Europa, com sede no Reino Unido. “A conversa tem sido muito moldada pelo contexto das grandes organizações com mainframes e clientes internos.”
ITIL: tamanho não importa
Mas se o ITIL não foi amigável com as empresas menores, estas tampouco foram amigáveis com a ITIL.
“Com recursos limitados, estas empresas tendem a desenvolver seu pessoal de TI internamente, gerando um nível mais baixo de exposição a maneiras melhores de trabalhar”, observa David Davies, consultor-chefe da Xantus Consulting. “A estrutura e a organização, com freqüência, também são inadequadas: é como uma garotada de 11 anos jogando futebol, correndo atrás da bola.”, diz.
Contudo, as instalações de TI menores podem trans formar seu tamanho em um ativo ITIL, segundo Rae, do Help Desk Institute. “As empresas menores podem implementar ITIL e rapidamente. Há menos discordância e é mais fácil reunir as pessoas-chave”, conta. Ele completa: “Implementei ITIL em um departamento de TI com apenas seis pessoas: no começo elas reclamaram que não tinham tempo, mas, no fim, os principais processos da ITIL não tomou muito tempo.”
Na realidade, observa Rae, um dos mal-entendidos mais comuns em relação à ITIL nas pequenas empresas é demandar uma grande organização. “As pessoas pensam que, se há um número de processos de gerenciamento envolvidos, tem que haver um número similar de funções de gerenciamento, mas não é assim”, explica.
Depois, o momento é definir com clareza quem é o responsável pelo processo – fator que é simplificado por se tratar de uma empresa menor.
A própria ITIL também está empenhada em se tornar mais acessível para pequenas empresas. O guia para implementações da ITIL em pequena escala do Office of Government Commerce, publicado em 2006, já está na terceira edição.
Assim como outras publicações da ITIL do Office, o guia é publicado pelo The Stationery Office (ex- Her Majesty’s Stationery Office) e custa em torno de US$ 70, mas o preço exato depende da taxa de câmbio de libra para dólar.)
“Ainda existe um grau razoável de ignorância, nas empresas menores, sobre os benefícios potenciais da ITIL”, argumenta Paul Cash, managing director da Partners in IT, consultoria em ITIL. Se mais organizações de TI menores conhecessem os benefícios da ITIL, acrescenta Cash, estariam mais inclinados a adotar as diretrizes completas da ITIL, e não a versão enxuta.
Casos Reais
A ioko, fundada em 1996 e com 270 funcionários atualmente, começou a prestar atenção no ITIL em 2001, explica o diretor de operações Sian Hodgson.
“Tínhamos metas de crescimento ambiciosas e percebemos que precisávamos de processos e de sistemas que escalassem à medida que crescêssemos”, conta. “Como a versão do ITIL para pequena escala ainda não estava disponível, a ioko embarcou em uma implementação em escala total, porém gradualmente, implementando práticas de ITIL em um ritmo que possibilitava absorvê-las.
“Você precisa de vigor”, salienta Hodgson. “Precisa reconhecer que é uma jornada que envolve centenas de pequenas mudanças, em vez de uma única bala de prata. As pessoas vêem a ITIL como uma espécie de Nirvana, mas é apenas um framework muito lógico. Veja a abordagem da ITIL para gerenciamento de mudança: provê um nível muito verossímil de detalhes em torno dos processos de projetar, aprovar e, por fim, implementar mudança.”
Para a ioko, a ITIL cumpriu o prometido, acrescenta Hodgson. O faturamento da companhia saltou de 9,1 milhões de libras em 2001, quando a ITIL começou a ser implementado, para 25,7 milhões de libras. “E não tivemos que mudar nossos processos porque já estavam alinhados ao que precisamos. Além do mais, conseguimos dobrar de tamanho e continuar sem fazer qualquer mudança.”
Quatro pontos da ITIL a serem lembrados
A IT Infrastructure Library (ITIL) é viável para pequenas e médias organizações. Considere os seguintes pontos:
1.) Não se intimide. Lembre-se de que a ITIL pode funcionar para pequenas empresas. Mesmo que os processos da ITIL tenham sido escritos visando as grandes empresas, as lições se aplicam a organizações menores. A ITIL pode funcionar para você também.
2.) Defina o dono do processo. Você precisa de um líder no comando.
3.) Escolha as peças e priorize. Selecione os princípios da ITIL adequados para sua organização. Escolha os pontos que você acha que vão funcionar melhor.
4.) Siga o caminho e registre o progresso. A responsabilização da ITIL demanda alguém encarregado de assegurar que a organização esteja seguindo as diretrizes da ITIL.
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