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Desenvolvimento interno: combinando softwares e qualidade

Sistemas de gestão de qualidade de software têm se mostrado uma alternativa eficiente para garantir melhores práticas no desenvolvimento interno.

Por Flávia Yuri, do COMPUTERWORLD

30 de abril de 2008 – 07h30
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O que é melhor, desenvolver internamente ou buscar soluções de mercado? Existe certo consenso de que no caso de soluções padronizadas, é melhor contar com produtos já testados e certificados por grandes fornecedores.

Mas para empresas que não podem entregar determinadas operações a fornecedores, como é o processo de criação de software? Como garantir as melhores práticas de mercado, quando desenvolvimento não é a especialidade da companhia?

A área de TI é cobrada pela entrega de softwares da mesma forma que um fornecedor especializado nessa atividade. No entanto, normalmente, desenvolver internamente é mais uma das inúmeras atribuições do time de tecnologia, que muitas vezes o faz sem metodologia específica, atendendo às demandas na medida do possível. O que as empresas começam a perceber é que desenvolver sem processos claros e pré-definidos, com controle de qualidade e prova de conceito e de uso pode sair caro para todos.

Uma pesquisa da Economist Intelligence Unit mostra que um erro na fase de desenvolvimento de software que custa 1 dólar vai sair por 100 dólares se descoberto na fase da operação comercial – isso sem contar o impacto negativo que ele pode trazer para o negócio.

Você conhece o Executive Briefing sobre Automação de testes de software

Não é por acaso que o mercado de gestão de qualidade de desenvolvimento entrou para a agenda de TI das empresas que têm suas próprias fábricas de software. Enquanto o mercado de programas de gestão de TI tem apresentado crescimento médio de 9%, o IDC estima que nos próximos três anos, o mercado de qualidade de software no Brasil vai chegar a 25%.

Gestão de qualidade na prática
Na Serasa, desenvolvimento de programas está diretamente ligado à principal atividade da companhia: o fornecimento de serviços de informações de crédito.

“Atendemos a 37 segmentos de mercado e, para cada um deles, nosso programa de informações de crédito precisa de ajustes específicos”, afirma Dorival Dourado, diretor de serviços de TI e novas tecnologias da Serasa. “Por isso, melhorar a gestão de qualidade do nosso processo de desenvolvimento é melhorar o desempenho da empresa junto a mais de 400 mil clientes diretos e indiretos”, afirma.

Falta de metodologia tem deixado a área de TI em apuros
48% dos projetos saem do prazo
70% dos projetos custam acima do orçamento
23% das equipes dizem pular etapas de testes para minimizar os atrasos

Fonte: Economist Intelligence Unit

A companhia adotou uma plataforma de gestão de desenvolvimento e qualidade de software em outubro de 2007. A Serasa optou pela solução da Borland. Ainda na primeira fase de implantação da metodologia, que está sendo assimilada pelos 230 desenvolvedores da empresa, ela já contabiliza 10% de aumento de produtividade.

“Mas a maior parte dos benefícios é intangível, pois diz respeito à qualidade. Conseguimos, por exemplo, maior previsibilidade de projetos, economia de tempo em processos e criamos um repositório automatizado para as regras de negócio”, afirma Dourado.

O Caso do HSBC
Se boa parte dos sistemas de uma empresa de informação de crédito é confidencial, no caso de um banco, todo e qualquer programa é crítico. Pela confidencialidade das informações, nem sempre dá para contar com a ajuda de grandes integradores e a responsabilidade fica com a equipe de TI da própria instituição.

Para migrar seu sistema de atendimento de mais de 1,7 mil agências em todo o país para uma plataforma web, sem correr o risco de interferir no dia-a-dia da operação do banco, o HSBC optou por adotar uma plataforma de gestão de qualidade de software, no caso, o HP Quality Center e o HP Performance Center.

O objetivo do banco era realizar cerca de 700 testes a cada nova versão do sistema, em cinco módulos diferentes, além de padronizar scripts e execução de testes. O processo todo, incluindo a fase de planejamento e a definição de cada um dos testes, levou cerca de um ano, de 2004 a 2005. Com a adoção das ferramentas, o banco passou a contabilizar resultados expressivos em seu desempenho.

O tempo de execução de testes caiu 85%. Sem a automação do processo, o banco levaria 10 dias, e quatro profissionais, só para executar os testes de uma versão do módulo conta corrente. Esse prazo caiu para três dias e passou a ser realizado por dois profissionais.

Desenvolvimento na Assembléia
A área de TI da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, a ALESP, também convive com a necessidade de desenvolver à unha alguns de seus principais sistemas.

Esse é o caso do Sistema de Processo Legislativo. Ele é o responsável por todo o trâmite de informações dentro da assembléia, desde a fase de proposição até a etapa de projeto de lei. “Qualquer alteração em leis ou em processos da assembléia pede, necessariamente, uma alteração no sistema. A Lei de Diretrizes Orçamentárias, por exemplo, já passou por 15 mil emendas e ajustes desde a sua criação. Todas essas alterações geram mudanças no sistema”, diz Maria de Fátima Porcaro, diretora do departamento de informática e desenvolvimento da ALESP.

Além do volume de informações que circulam dentro do órgão, a capilaridade da rede de acesso da assembléia é outro ponto que aumenta a complexidade do desenvolvimento. São 645 municípios que acessam as informações da casa.

Por isso, garantir agilidade e eficiência da fábrica de software impactou diretamente nos processos do órgão. A assembléia iniciou a implantação da solução da Borland para gerenciar o ciclo de desenvolvimento e teste de software há cerca de um ano e meio.

Desde então, a equipe de TI já implantou a metodologia de desenvolvimento de arquitetura e, paralelamente, passou a fazer atualizações no sistema com a nova plataforma. Entre os resultados, a área conseguiu automatizar todo o ciclo de publicação de informações. Documentos que levavam até três dias para serem publicados no Diário Oficial hoje são impressos na primeira edição logo após a aprovação.

A equipe de TI deve liberar em breve os novos módulos de workflow da assembléia com 140 certificados digitais para os deputados poderem dispensar a assinatura no papel. “Com ele, centenas de documentos poderão seguir pelo sistema, sem a necessidade de impressão”, diz Maria de Fátima.

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